Porém, a poesia nos permite transmutar tudo aquilo que está conosco e/ou o nos pertence. E é dessa forma que dedico ao vento essa simples poesia. Luz!
Do pasto ao prato
Enquanto o boi sua e sofre
Cá estamos no açougue a escolher a peça mais nobre
Filé-mignon, alcatra, patinho, buchada...
Joga um tempero e na brasa dá aquela caprichada
E as risadas, amigo? Sem dúvidas, segue a rima
Coisa que não nos deixa perceber, que ali existe uma vida.
Vida que segue? Não. Vida que termina ali, para satisfazer tua fome, e teu bel prazer.
O grave do "tum tum" que bate, é o mesmo que acompanha as chicotadas que ecoa com os abates
Clandestinos ou não, não deixam de ser porto de tamanha brutalidade
Como qualquer outra vida, eles sabem e sentem quando é chegada a hora
Sacamos isso com a lágrima que escorre dos olhos, e o grito que do peito pula da boca pra fora.
Do pasto, com um transporte são levados para o confinamento, e claro: Passam pelo corredor da morte
Não se enganem, pois desde o seu nascimento sua vida é só sofrimento
São nossos escravos? Será que o extermínio é o nosso resultado de sorte?
Como é que esse bife um dia foi boi?... Enfim, hoje está em "nossos pratos".
Gleice Ya Aziza.